Não se assuste: entenda o porquê atletas podem ter ataque cardíaco durante o exercício

Anos correndo longas distâncias em maratonas ou ciclismo podem potencialmente causar lesão ao coração de alguém?

Dois novos estudos com atletas e suas artérias coronárias sugerem que a resposta pode ser um qualificado sim. Ambos os estudos descobriram que atletas de resistência, especialmente os homens, que passam anos treinando e competindo, mostram incidência surpreendentemente alta de placas em suas artérias, o que pode ser fator para doenças cardiovasculares.

Mas os estudos também mostraram que essas placas parecem diferir um pouco em sua constituição dos tipos de placas encontradas nos corações de pessoas menos ativas e, portanto, não parecem serem motivo de grande preocupação.

Provavelmente, pelo menos, desde que Fidípides correu a suposta primeira maratona há milhares de anos na Grécia, e logo entrou em colapso e morreu, as pessoas se perguntam se o exercício extenuante é perigoso para o coração.

Há indícios, tanto anedóticos como científicos, que podem ser verídicos. Um estudo realizado em 2011 de longa duração, com atletas masculinos de elite e de resistência, mostrou que um número desproporcional deles apresentava cicatrizes dentro de seus músculos cardíacos.

Outros estudos já indicaram que corredores de maratona, em particular os homens, parecem ter maior risco de desenvolverem placas dentro de suas artérias coronárias do que as pessoas que se exercitam pouco ou não. Tais placas são preocupantes, uma vez que podem se libertar das paredes das artérias, bloquear o fluxo sanguíneo, e causar ataque cardíaco.

Mas a maioria desses estudos anteriores têm pequena amostra, muitas vezes envolvendo menos de uma dúzia de participantes.

Assim, para os novos estudos, que foram publicados simultaneamente na semana passada na revista científica Circulation, os cientistas propuseram examinar muito mais corações do que nos experimentos anteriores. Num dos estudos, pesquisadores da Universidade de Radboud, na Holanda e  outros lugares, recrutaram 284 homens que praticaram exercícios durante a vida adulta. Em outro, os cardiologistas da St. George’s University, em Londres e outras instituições, reuniram quase 300 homens e mulheres, sendo que metade dos quais eram corredores e ciclistas com histórias de treinamento e competição longas, enquanto que os voluntários eram principalmente sedentários. Nenhum tinha história de doença cardíaca.

Os voluntários em ambos os estudos completaram extensos questionários sobre suas histórias de exercícios ao longo da vida, detalhando o tempo, se houvesse, e no que eles haviam treinado e competido em esportes de resistência desde a adolescência.

Os pesquisadores em cada um dos estudos examinaram os corações dos voluntários, usando uma variedade de técnicas. Enquanto a maioria dos estudos anteriores sobre os corações dos atletas se baseou principalmente em tomografias básicas do coração e nos vasos sanguíneos que revelavam  a quantidade de placas existentes nas artérias de alguém, os novos estudos também implementaram técnicas adicionais que identificaram a composição dessas placas.

E a composição do tecido da placa é importante. Os cardiologistas sabem que se as placas são densas e fortemente calcificadas, eles também tendem a ser estáveis e improváveis de se libertar das paredes das artérias. Se, por outro lado, as placas são gordurosas e um tanto soltas, elas podem romper mais facilmente da parede e iniciar o ataque cardíaco.

Em ambos os estudos, uma longa história de exercícios pesados estava relacionada a presença de  placas arteriais. No estudo holandês, os homens que corriam por mais de cerca de quatro horas por semana ao longo de suas vidas adultas eram muito mais propensos a ter placas em suas artérias do que aqueles que corriam menos de uma hora por semana durante o período analisado. A correlação foi mais forte entre os homens que correram mais intensamente, e de acordo com o tempo de treinamento e de corrida.

Da mesma forma, no estudo britânico, enquanto a maioria dos participantes possuía artérias claras, os atletas experientes cujas varreduras mostravam placas, elas eram em maior número do que nos voluntários sedentários.

Mas em ambos os estudos, quanto mais ativo era a pessoa, mais provável que suas placas no homem, e em raras situações nas mulheres, eram calcificadas e densas. As pessoas menos ativas tinham placas mais gordurosas e problemáticas.

Juntos, esses estudos sugerem que “pode haver uma associação entre a alta intensidade de exercícios e a calcificação coronariana”, diz o Dr. Benjamin Levine, professor de cardiologia da University of Texas Southwestern Medical Center and director of the Institute for Exercise and Environmental Medicine at Texas Health Presbyterian em Dallas. Ele foi um co-autor de um editorial na Circulation na semana passada que acompanhou os estudos.

“Mas se você avaliar a morfologia das placas”, ele continua, “eles parecem ser mais benignas” do que nas pessoas que se exercitam menos.

Claro, esses estudos não podem nos afirmar se o hábito do exercício das pessoas causa diretamente a formação de placas de qualquer tipo em seus corações, apenas que as duas situações estão relacionadas. Eles também não podem explicar como o exercício pode contribuir para a formação das placas, ou se, ao longo do tempo, os atletas com placas estão em maior risco do que outras pessoas em sofrer ataque cardíaco.

Dr. Levine e seus colegas apenas começaram um estudo de longo prazo, diz ele, que seguirá atletas experientes durante anos, rastreando mudanças dentro de suas artérias e resultados médicos.

Mas, por enquanto, ele diz, os dados disponíveis, incluindo esses novos estudos, sugerem que exercícios de longa e intensa resistência podem alterar suas artérias, mas provavelmente não as  prejudicam.

Se, no entanto, você está preocupado com sua saúde cardíaca, obviamente, consulte um médico, ele diz, e não hesite em errar do lado de cautela. “Se você quer correr uma maratona, bem, corra a  maratona”, diz ele. “Mas se o seu objetivo do exercício é simplesmente ser saudável, uma meia hora de corrida é suficiente”.

Traduzido do site: https://www.nytimes.com/2017/07/19/well/move/the-toll-of-exercise-on-the-heart-and-why-you-may-not-need-to-worry.html

By  GRETCHEN REYNOLDS JULY 19, 2017

Dr. Lourenilson Souza

Dr. Lourenilson Souza

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas;
Especialista em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo com Área de Atuação em Cirurgia Bariátrica;
Mestre e Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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