Diabetes: Debate Sobre Dieta Pobre em Carboidratos

Alguns anos atrás, Richard Kahn, atualmente diretor científico e médico aposentado da Associação Americana de Diabetes, foi apontado como organizador de comitê para prescrever plano dietético para pessoas com diabetes. Ele iniciou examinando a eficiência de diferentes dietas no controle do diabetes.

“Quando você olha para a literatura tudo é tão insignificante “, disse o Dr. Khan em uma entrevista recente.

Estudos são de curto prazo, com dietas insustentáveis, e com diferenças clinicamente insignificantes entre elas. A única coisa que realmente parecia ajudar os diabéticos foi a perda de peso, e para perda de peso, não há dieta mágica ..

Mas as pessoas querem conselhos sobre dietas, então Dr. Kahn se sensibilizou de que a associação realmente deveria dizer algo sobre dietas. Assim, utilizou-se do Instituto Nacional de Saúde e da pirâmide alimentar do Departamento de Agricultura.

Por quê? “É uma dieta para toda a América”, disse o Dr. Kahn. “Ela tem muitas frutas e legumes, e uma quantidade razoável de gordura.”

Esta orientação, no entanto, sofreu recentemente crítica em um comentário no New York Times escrito por Sarah Hallberg, um osteopata de uma clínica de perda de peso em Indiana, e de Osama Hamdy, diretor médico do programa de perda de peso obesidade do Centro de Diabetes Joslin e da Faculdade de Medicina de Harvard.

Existem dietas que ajuda com diabetes, disseram os dois médicos: uma que restringe, ou que de acordo com o Dr. Hallberg, restringe totalmente carboidratos.

“Se o objetivo é eliminar os pacientes de seus medicamentos, incluindo a insulina, e resolver em vez o diabetes e não apenas controlá-lo, a restrição significativa de carboidratos é de longe o melhor plano de nutrição”, disse Dra. Hallberg através de e-mail. “Isso incluiria a eliminação de grãos, batatas, açúcares, e todos os alimentos processados. Há um corpo significativo e crescente da literatura que apoia este método”. Ela atua em consultório particular na Indiana University Health Arnett Hospital, e é diretora médica de uma startup que desenvolve intervenções médicas baseadas em nutrição.

Mas não há estudos prolongados e rigorosos mostrando que dietas de baixo teor de carboidratos oferecem vantagens, e, de fato, não há sequer consenso sobre definição de dieta baixa em carboidratos, que pode variar de médico para médico.

“Houve debates intensos sobre toda a história do diabetes e qual tipo de dieta seria melhor”, disse o Dr. C. Ronald Kahn, diretor acadêmico da Joslin, e que não tem nenhuma relação com o Dr. Richard Kahn. E concluiu: a resposta não é tão simples.

Em apoio a dieta como a do Dr. Hallberg, há um recente estudo de curto prazo, realizado por Kevin Hall do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Renais e Digestivo e seus colegas, envolvendo 17 homens obesos e com sobrepeso, nenhum dos quais tinha diabetes. Permaneceram em um centro clínico onde comeram dietas cuidadosamente controladas. Os pesquisadores perguntaram o que aconteceria se as calorias fossem mantidas constantes, mas a composição de carboidratos da dieta variava de alta a muito baixa. A resposta foi que a secreção de insulina caiu em 50 por cento com a dieta muito baixa de carboidratos, significando que muito menos insulina foi necessária para manter os níveis normais de glicose no sangue.

“Uma vez que o diabetes resulta de quando o corpo não pode produzir insulina suficiente, talvez seja uma boa ideia seria reduzir a quantidade de insulina necessária comendo dietas muito baixas em carboidratos”, disse Hall.

Porém alguns estudos de longo prazo não mostraram que dietas de baixo teor de carboidratos beneficiaram o controle da glicose.

Mesmo se as dietas são eficazes no curto prazo, a dificuldade é a aderência a longo prazo, disse Dr. Hall.

Analisando as dietas de perda de peso (não especificamente para diabéticos) publicadas neste verão, ele e Yoni Freedhoff da Universidade de Ottawa escreveram: a aderência à dieta é tão desafiador que é um evento raro, mesmo nos estudos de curto prazo onde todos os alimentos são fornecidos. Quando as dietas são prescritas, a adesão diminui a longo prazo, apesar de auto-relatórios em contrário.

Mas estudos de curto prazo de apenas algumas semanas, que constituem a maior parte dos estudos dietéticos, podem ser enganosos, disse o Dr. C. Ronald Kahn.

“A curto prazo, a dieta pobre em carboidratos às vezes melhora no controle glicêmico”, disse ele. “Mas como o tempo progride, a diferença na maior parte desaparece. O que importa é qual dieta ajuda mais com a perda de peso a longo prazo. ”

A razão pela qual a vantagem, às vezes vista com uma dieta pobre em carboidratos tende a desaparecer, acrescentou o Dr. C. Ronald Kahn, é provavelmente devido a mistura de pessoas que não aderem às dietas e aos seus corpos se ajustando a elas.

Outro problema com dietas com baixo teor de carboidratos, disseram os pesquisadores, é a questão do que acontecerá com a saúde geral se os diabéticos realmente seguirem a dieta por anos ou décadas. Os níveis de insulina podem ser melhores, mas, disse o Dr. Rudolph Leibel, diretor do Centro de Diabetes Naomi Berrie da Universidade de Columbia, “os efeitos de uma dieta baixa em carboidratos em lipoproteínas e na biologia vascular poder reduzir tal “benefício”. Em outras palavras, não está claro se um menor nível de insulina se traduz na redução de ataques cardíacos.

Dr. Hamdy, o qual recomenda dieta com baixo teor de carboidratos menos restritiva do que a sugerida pelo Dr. Hallberg, relata que muitos pacientes em sua clínica têm sido capazes de permanecer com a dieta durante cinco anos, e mantendo a perda de peso. Ele apresentou seu estudo na conferência anual da American Diabetes Association em 2015, e o encaminhou para publicação. Envolveu 129 pacientes. Metade foi capaz de perder peso e mantê-la, e aqueles que a perderam mantiveram-na com perda de de 9,5 por cento de peso médio, com melhora acentuada do diabetes.

É impossível, diz Hamdy, separar a perda de peso dos efeitos da dieta sobre o diabetes porque as pessoas que a seguem, que limita mas não proíbe itens como pães, massas e arroz, também perdem peso.

Mas vários estudos descobriram que quando se trata de perda de peso, a única maneira comprovada de ajudar com o controle de açúcar no sangue a longo prazo, não há diferença entre as dietas que restringem calorias, gordura ou carboidratos.

Especialistas como o Dr. David Nathan, diretor do centro de diabetes e centro de pesquisa clínica do Hospital Geral de Massachusetts e professor de medicina da Harvard Medical School, recomendam dietas para pessoas com diabetes. Mas, disse ele: “quando aconselhamos as pessoas a realizarem dietas, o principal objetivo é perder peso”.

O que importa mais para controlar a diabetes, Dr. Nathan disse, “é quanto peso você perde.”

Traduzido do Site: http://www.nytimes.com/2016/09/16/health/type-2-diabetes-low-carb-diet.html

By GINA KOLATA

Dr. Lourenilson Souza

Dr. Lourenilson Souza

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas;
Especialista em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo com Área de Atuação em Cirurgia Bariátrica;
Mestre e Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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